Nobody cares 2019: melhor filme.
O ano de 2019 está quase acabando e vamos para mais um balanço da categoria Nobody cares: melhor filme.
O melhor filme que vi esse ano, e provavelmente um dos melhores que vi em toda minha vida: MOTHER, com Javier Barden e Jennifer Lawrence. Esse é um daqueles trabalhos cinematográficos sobre o qual evito comentar, porque se alguém falar mal, eu uso meu réu primário.
A foto a seguir é do final. E é assim que me sinto por dentro na maior parte das vezes dentro de mim.
Eu não sou a melhor pessoa para resolver problemas, ainda mais quando se trata de situações limites. Quando preciso sair de um emprego eu postergo até o último segundo. Tenho a péssima insistência de deixar tudo para última hora, e a resolução parece quase sempre ser péssima porque não agi antes. E me arrependo.
Mother é um filme de metáfora religiosa, que conta desde a criação do universo até a apocalipse, valendo-se do contexto cristão. Existem vários vídeos explicando o filme e esses pontos, ainda que não seja difícil entender a maioria das referências bíblicas. E você também pode vê-lo pelo viés pessoal, o que eu fiz, afinal arte impessoal é algo meio impossível. É um filme sobre limites, sobre o quanto você aguenta por amor ou medo as ações da outra pessoa. Família e trabalho são as instituições que mais nos fazem passar por isso, talvez. Durante o filme, a mãe repete constantemente, por exemplo, que a "pia da cozinha não está chumbada" (para que não se sentem nela) e ninguém dá importância a isso, inclusive as pessoas se sentam propositalmente em cima do lugar até quebrá-lo, em tom de deboche. É desse limite que falo: várias vezes eu tento dizer que a pia não está chumbada e ninguém entende. Não porque não querem, mas porque ninguém tem obrigação de saber, ainda mais se a pessoa não gosta de compartilhar problemas como eu. Eu levo, levo, levo mais um pouco e quando vejo, estou arrebentando tudo na hora errada, do jeito errado, com as palavras erradas.
Não digo isso por me achar injustiçada. Talvez algumas vezes até seja. Mas é como sou. E quando vejo, tô assim:Resta saber se é assim que sou vista ou como numa cena de novela mexicana, haahahahahaha
Cinéfila falando: adorei, por quê?
Porque esse filme tem a melhor pior cena ever!
A cena do destino do bebê é a cena mais horrorosa, apavorante, ultrajante e nojenta que já vi. Depois dessa cena, não tenho mais limites para cinema. Vejo de tudo. Porque aquilo apavora. E se a gente refletir, foi o que supostamente ocorreu mesmo (pelo menos no livro dos amigos imaginários mais famoso do mundo). Coragem do diretor ao fazer aquilo.
Javier e Jennifer: par de atores na sincronia entre eles e dentro do papel de cada um. Ela submissa e calada. Ele exalando paz e tranquilidade falsamente.
O filme é ágil, tem cenas fortes, e tem o diferencial de não ter trilha sonora. Perfeito do começo ao fim.


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