Pais na estante.
Hoje é dia dos pais. Estou sem o meu aqui, mas este é assunto para outro post. Estava pensando em livros que tenham um pai como figura importante, e acho que aqui estão eles:
A morte do pai, Karl Ove Knausgârd.
Em dezembro de 2017, fui até uma livraria em Jundiaí comprar um livro que minha irmã pediu. Estava na Saraiva. Olhos vão, olhos vem, tira e põe de livro nas estantes. E eis que me deparo com esse título: A morte do pai. Não pensei nem meio segundo. Ele ainda está lacrado na minha estante, pois acho que ainda não consigo ler. O livro trata, obviamente, do cotidiano pós-morte em uma família. A "pressa" em se livrar do corpo, problemas financeiros, encontros e conflitos familiares, o retorno à casa depois de anos...tudo o que um dia todos viverão.
O pai Goriot, Balzac.
Um dos primeiros livros que li em francês. Na época queria praticar o francês (aprendi muita coisa, diga-se de passagem) e bem posteriormente entendi a importância moral da história. O abandono de idosos quando a prole cresce é algo muito recorrente no cotidiano. Pais servem apenas quando têm dinheiro ou quando preocupam menos. Ao menor sinal de "trabalho", são colocados em asilos ou mal-tratados.
Como meu pai sempre dizia, "um pai cria dez filhos, mas dez filhos não cria um pai."
Carta ao pai, de Kafka.
O nome Kafka basta por si. Se em algum momento da leitura desta carta você não precisar parar para respirar, você tem traços de psicopatia crônica. Meu pai era uma figura a parte, sem dúvidas. Mas não consigo encaixá-lo numa categoria de pai aterrorizante como este.
Angústia, de Graciliano Ramos.
O trecho a seguir apresenta o que significava o pai na vida da personagem Luís da Silva. Nunca me esqueci desse trecho enquanto leitora. Tenho 31 anos atualmente e li este livro quando tinha uns 19, só para ilustrar o impacto. Este é meu livro favorito do Graciliano, ainda que eu ache que não consigo lê-lo de novo.
"Quando eu ainda não sabia nadar, meu pai me levava para ali, segurava-me um braço e atirava-me num lugar fundo. Puxava-me para cima e deixava-me respirar um instante. Em seguida repetia a tortura. Com o correr do tempo aprendi natação com os bichos e livrei-me disso. Mais tarde, na escola de mestre Antônio Justino, li a história de um pintor e de um cachorro que morria afogado. Pois para mim era no poço da Pedra que se dava o desastre. Sempre imaginei o pintor com a cara de Camilo Pereira da Silva, e o cachorro parecia-se comigo."
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