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Anna ou Connie?

 A mim, sobra reagir. Sempre que ouvia minha irmã falando sobre depressão, eu desejava um dia ter também. Por quê? Talvez para ter atenção. Talvez para alguém perguntar como eu estou.  Os últimos dias foram estranhos. Não sinto vontade de nada, absolutamente nada. Meu maior medo é que isso afete meu trabalho. Sinto que minha vontade de comer sumiu, minha vontade de interagir, sair. Pode ser reflexo de dois anos em casa. Mas só sei que tá difícil.  Mas hoje eu vi que a mim só resta reagir.  Porque ninguém pergunta como estou.  Não de verdade. Não sinceramente.  E não é culpa de ninguém. Em absoluto.  Entre ser Anna Kariênina que desiste, eu serei Connie Chatterley. Com final em aberto, porque a vida é curta para finais infelizes.

Spartacus, ou como nada mudou.

Spartacus é uma série da Netflix que inicialmente eu estava relutante para ver. Não gosto muito de sexo gratuito em filmes e séries e sempre associei essa série com isso, com banalidade. Começar a assistir foi meio que um martírio, até que me vi diante do vício ( e diante do Crixus também 👀👀👀👀). E me veio um turbilhão de ideias e associações, algo que fazia tempo que não acontecia. Ver essa série foi meio como reviver minhas brincadeiras de Barbie de criança, com intrigas, traições, luxo, e tudo mais. Na série basicamente temos uma casa onde gladiadores são treinados como numa academia  de ginástica e obviamente tratados como escravos tanto para o entretenimento da plateia com as lutas (e vale dizer que algumas cenas são bem exageradas na verdade) quanto para atividades sexuais. Algumas dessas cenas tratam o estupro de forma  tão chocantemente banal que infelizmente a gente se acostuma. Um ponto "positivo" (atenção às aspas sim?) é que os homens também são vítimas de viol...

Espelhos do ego

Diz o senso comum que aquilo que mais nos irrita nos outro é exatamente aquilo que odiamos em nós (algo assim, não lembro, hahahaha). Eu sou uma pessoa tranquila de lidar, ainda que a maioria das pessoas que não me conheçam achem que sou brava. Não sou brava, é sono. Eu não nasci pra acordar cedo. Mesmo indo pra cama num horário razoável, eu não consigo. Mas a gente acorda, afinal, somos adultos responsáveis. O fato é que hoje eu li que minha arqui-inimiga desistiu do mestrado. Veio aquela vontade de querer mandar um "hahahaha", mas a gente se controla. Educação faz a gente inibir essas coisa. Eu simplesmente não a suporto, ainda que ela seja muito bonita fisicamente (e tem gente que fala "ah, é inveja". Amigo, o dia em que eu tiver inveja de um ser tão inflado de ego quanto ela, pode mandar me enterrar) Acho que isso é um a diferença entre nós: principalmente meu pai não permitia nunca a política do "coitado do meu filho/a, vou ajudar". Aqui em casa,...

Ode da mentira.

Ode. Estas linhas são para pessoas que fingem. Fingem que são equilibradas Felizes Compreensivas De bem com a vida Maduras Religiosas Ser ou parecer: a eterna questão filosófica. Elas fingem porque necessitam acreditar Naquilo que sai de suas bocas Mas envolvem os outros em suas neuroses Afirmação de ego Negação de si Negação da verdade Tudo menos perto de mim. Perto de mim você pode até fingir ser Desde que não me leve junto no discurso do "para mim foi bom então..." Eu quero sossego.

Das descobertas.

Conversando com meu namorado, ele sempre pondera o quanto às vezes a gente se poda de curtir certas coisas por preconceito, seja porque adquirimos isso na escola ou em família. O pior deles de se eliminar para mim é o preconceito acadêmico.  Eu sou professora de inglês há 28272 anos já. Gosto muito do idioma mas não me sinto motivada a visitar un país de língua inglesa, uma pelo preço e outra porque principalmente os EUA tem o estigma para mim de ser o país da futilidade e gente vazia. Como em 2020 eu pretendo ler mais e escrever mais para quem sabe mais adiante tentar uma especialização ou mestrado, ando relendo e lendo muitos livros com histórias de suspense e terror. Meu lado criança não apaga essa empatia por ghost stories e acho que vai ser minha trilha. E só pra ligar meu namorado ao assunto, eis que meus autores favoritos são de onde? Sim! Dos EUA! Lovecraft, Poe, Henry James e Shirley Jackson foram natos na terra do tio Sam. Quem sabe um dia eu tenha dinheiro para um e...

Melhor série 2019-parte 2: A maldição de Hill House

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Escrever sobre essa série é falar do meu assunto favorito: histórias de terror/horror. Não gosto de gore, acho óbvio e apelativo demais. O trabalho feito neste livro e na série são obras de gênio pela sutileza. Pessoalmente, Hill House me trouxe tantos sentimentos, tantas lembranças, tantos pensamentos que posso dizer que nunca me senti tão envolvida pessoalmente com uma história de televisão. Conforme disse acima, existe o livro chamado The haunting of hill House, escrito pela autora norte-americana Shirley Jackson e também uma versão cinematográfica de 1990 com Liam Nelson e Catherine Zeta-Jones, que é uma daquelas perdas de tempo de duas horas que todo mundo tem no curriculum. Voltando ao mundo Netflix, é uma série de terror sim. Você se assusta e pula do sofá; fica dias pensando no fantasma do chapéu e também fica com pânico de subir escada um tempo. Mas muito além de tudo isso, esta é uma serie sobre as relações familiares e as complicações deste círculo. A história é c...

Melhor série de 2019: O caminho dos tormentos.

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Quando eu era criança, alugar um filme na locadora era um evento supremo. Era aquele momento de eu poder decidir o que eu queria ver ou mesmo decidir junto com meu pai/irmãos o que íamos ver. Assistir ao filme junto era obrigatório. Mas se tinha um gênero que eu não consegui gostar enquanto criança era o de guerra. Na época, O resgate do soldado Ryan era um que quase todo semana estava no nosso vídeo-cassete. E aquilo era uma tortura para mim. Um tédio. Minutos chatos que não passavam. Eu lembro que só via os primeiros minutos e saía do quarto. O tempo passou e nunca consegui me prender com o gênero. E eis que tudo mudou esse ano. Ando estudando bem de leve e me aventurando na língua russa. Como um dos métodos de estudo é ouvir, achei a série O caminho dos tormentos na Netflix. E boom! A mágica se fez: acompanhei doze capítulos de uma série sobre guerra. A série é baseada na obra de Alexei Tolstoy. Procurei o livro e não achei, pelo menos não a preço acessível. Porque me ap...