Melhor série de 2019: O caminho dos tormentos.
Quando eu era criança, alugar um filme na locadora era um evento supremo. Era aquele momento de eu poder decidir o que eu queria ver ou mesmo decidir junto com meu pai/irmãos o que íamos ver. Assistir ao filme junto era obrigatório. Mas se tinha um gênero que eu não consegui gostar enquanto criança era o de guerra. Na época, O resgate do soldado Ryan era um que quase todo semana estava no nosso vídeo-cassete. E aquilo era uma tortura para mim. Um tédio. Minutos chatos que não passavam. Eu lembro que só via os primeiros minutos e saía do quarto.
O tempo passou e nunca consegui me prender com o gênero. E eis que tudo mudou esse ano. Ando estudando bem de leve e me aventurando na língua russa. Como um dos métodos de estudo é ouvir, achei a série O caminho dos tormentos na Netflix. E boom! A mágica se fez: acompanhei doze capítulos de uma série sobre guerra.
A série é baseada na obra de Alexei Tolstoy. Procurei o livro e não achei, pelo menos não a preço acessível. Porque me apaixonei.
Daria e Katia.
As irmãs são lindas fisicamente e interpretam melhor ainda. A evolução de Katia, de moça frustrada com síndrome de Madame Bovary é algo que acho que nunca vi. Nos primeiros episódios, eu cheguei e ter antipatia por ela: fútil, reclamona, trai o marido com qualquer um e tem aquele constante olhar blasé. Posteriormente, ela passa por tanta coisa por conta de seu amor por Vadim que, no final, eu gostava mais dela do que de Daria. As duas são mulheres fortes, mas a evolução pessoal dela foi muito grande. Daria é a moça que segue o protocolo, que é inocente e que tem certa simpatia do destino. A cena de desespero dela por conta do que ocorre com seu bebê é de dilacerar.
Ivan e Vadim.
Homens corretos. Homens que buscam e acreditam em suas verdades. Ivan às vezes passou um tiquinho da conta no quesito de se rastejar aos pés de Daria. Mas isso não impede que seja um ótimo personagem. Vadim tem aquela alma exalando justeza e sensatez de si a todo instante. Acho que ele e Katia foram meu casal favorito no final. Chorei na cena em que ele e Ivan, aprisionados no mesmo local por terem mentido, se dão as mãos e dizem que o lado político não ia se sobrepor à amizade deles (talvez porque eu acredite nisso)
Alexey Bessonov
O poeta desperta o sentimento clássico de amor-ódio. No primeiro episódio, você deseja que ele suma; em alguns outros, ele se torna "humano" e ganha sua simpatia. No final é uma confusão de sentimentos. Mas queria que ele tivesse seguido outro caminho. Ele é o artista que "poetiza" as dores do mundo e da vida sem nunca ter vivenciado aquele sofrimento (a arrogância e prepotência dele no começo são latentes). E essa situação se inverte ao longo da história. Talvez o final que foi lhe dado seja uma redenção, não sei. Só sei que meu interesse por poesia russa nasceu por causa dessa personagem :)
Fanatismo político
A série em vários momentos aborda essa questão. Se você e toda sua família seguisse uma linha política, seria capaz de entregar alguém com quem convive/conviveu por achar que o modo que ele pensa é traição? E se fosse seu filho? Seu pai? Você entregaria essas pessoas às autoridades sabendo que seriam no mínimo torturadas? Qual o limite da lealdade e da aceitação?
Fanatismo político
A série em vários momentos aborda essa questão. Se você e toda sua família seguisse uma linha política, seria capaz de entregar alguém com quem convive/conviveu por achar que o modo que ele pensa é traição? E se fosse seu filho? Seu pai? Você entregaria essas pessoas às autoridades sabendo que seriam no mínimo torturadas? Qual o limite da lealdade e da aceitação?
Óbvio que uma série romantiza muita coisa: os vermelhos serem todos "bonzinhos" e você encontrar seu amor num campo de batalha por exemplo, são situações novelescas e inverossímeis. Mas como show e entretenimento, foi magnífico. Pude entender as primeiras palavras no idioma e entendi um pouco do significado da "alma russa". Valeu cada minuto.

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