Melhor série 2019-parte 2: A maldição de Hill House
Escrever sobre essa série é falar do meu assunto favorito: histórias de terror/horror. Não gosto de gore, acho óbvio e apelativo demais. O trabalho feito neste livro e na série são obras de gênio pela sutileza.
Sobre a autora Shirley Jackson: https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=3295
Pessoalmente, Hill House me trouxe tantos sentimentos, tantas lembranças, tantos pensamentos que posso dizer que nunca me senti tão envolvida pessoalmente com uma história de televisão.
Conforme disse acima, existe o livro chamado The haunting of hill House, escrito pela autora norte-americana Shirley Jackson e também uma versão cinematográfica de 1990 com Liam Nelson e Catherine Zeta-Jones, que é uma daquelas perdas de tempo de duas horas que todo mundo tem no curriculum.
Voltando ao mundo Netflix, é uma série de terror sim. Você se assusta e pula do sofá; fica dias pensando no fantasma do chapéu e também fica com pânico de subir escada um tempo. Mas muito além de tudo isso, esta é uma serie sobre as relações familiares e as complicações deste círculo. A história é constituída por pai, mãe e cinco filhos no momento da infância e na vida adulta, sendo que a história é cheia de flashbacks.. Tanto os atores da fase adulta quanto suas versões mirins são aqueles combos da perfeição que chega a doer a cabeça de felicidade: é tudo muito bem feito, mensurado, escolhido e colocado no elenco. As personalidades não são clichês: temos mulheres fortes sem serem chatas; homens sendo gentis sem o serem excessivamente. O curioso é que em cada capítulo, você ama uma personagem e você chega a abominar outra. Até que no outro episódio vem a explicação do que por que o fulano agiu daquele jeito e os sentimentos se invertem: o bonzinho vira crápula e o crápula vira o herói. Isso é a família: cada um tem sua explicação e às vezes ver de fora é fácil para julgar. Trabalho de gênio, esta adaptação do livro foi excelente, lembrando que a época em que este foi escrito e o fato de ter sido escrito por uma mulher num período em que talvez elas não tivessem tanto espaço.
Nell, uma das filhas (e minha favorita) vê ao longo de alguns episódios "a moça do pescoço torto" (sim, é de borrar as calças quando ela aparece). Após uma reviravolta, entendemos quem é a tal moça e o por que do pescoço dela ser quebrado. Foi a personagem de que mais gostei, de verdade. Ela é carismática, fofa, educada, prestativa, paciente sem ser trouxa ou com mania de grandeza. Todos os personagens são legais, aliás. O único que foi meio "gosto de chuchu" foi o irmão mais velho, ele é o tipo de irmão que adora falar que tá todo mundo errado e que só ele é equilibrado. Mas sempre tem de ter um contraponto.
Terror e psicologia
Hill House, livro e série, foram importantes porque nos mostram e nos ajudam a entender os sinais da depressão. A mãe da família vai piorando a cada capítulo, mostrando tantos os sinais psicológicos quanto os sinais físicos (a enxaqueca); Nell também tem alguns traços de esquizofrenia ou algo do tipo. Você pode imaginar que tudo aquilo realmente aconteceu ou que tudo era uma neurose familiar conjunta e hereditária, tanto faz; mas bem no fundo, todo mundo sabe que toda família tem seus fantasmas e esqueletos escondidos.
Sobre a autora Shirley Jackson: https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=3295

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