Espelhos do ego

Diz o senso comum que aquilo que mais nos irrita nos outro é exatamente aquilo que odiamos em nós (algo assim, não lembro, hahahaha). Eu sou uma pessoa tranquila de lidar, ainda que a maioria das pessoas que não me conheçam achem que sou brava. Não sou brava, é sono. Eu não nasci pra acordar cedo. Mesmo indo pra cama num horário razoável, eu não consigo. Mas a gente acorda, afinal, somos adultos responsáveis.

O fato é que hoje eu li que minha arqui-inimiga desistiu do mestrado. Veio aquela vontade de querer mandar um "hahahaha", mas a gente se controla. Educação faz a gente inibir essas coisa. Eu simplesmente não a suporto, ainda que ela seja muito bonita fisicamente (e tem gente que fala "ah, é inveja". Amigo, o dia em que eu tiver inveja de um ser tão inflado de ego quanto ela, pode mandar me enterrar) Acho que isso é um a diferença entre nós: principalmente meu pai não permitia nunca a política do "coitado do meu filho/a, vou ajudar". Aqui em casa, era sempre na base do "se vira!"; "vai pedir a conta? Se vira?", "quer viajar, comprar algo? Se vira". E no discurso dela tem muito desse coitadismo. Hoje no post dela sobre o mestrado, ela alega que desistiu por não ter bolsa e que é foda ser pesquisadora no Brasil. Acho que ela esquece que no Brasil tudo é foda. Tudo. É aquele romantismo do "mundo é contra mim". Só que ela não vê que ela escreve muito errado, umas coisas tenebrosas do tipo "derrepente". Imagine a orientadora lendo isso! Isso pra mim á a auto-negação da própria história, ela não vê que talvez, só talvez ela tenha que melhorar muito para ser medíocre. Eu sei que não daria conta de um mestrado agora, e nem mais pra frente talvez. Minha graduação foi bem fraca e eu também nunca fui de ser extra-estudiosa. Tem gente que acha que é conformismo, só que não estou dizendo que nunca tentarei. É aquilo do momento certo. Um dos posts que ela escreveu no começo do ano era dizendo que "apesar de estar fora da sala de aula há dez anos, ela não tinha tido bolsa...".Isso porque ela diz odiar o discurso meritocracia. Imagine se gostasse. Mano, você só só faz algo nesse planeta se pode pagar ou bancar. Simples. Não tem o que fazer. É o mundo em que vivemos, não adianta espernear contra o capitalismo, contra o Bolsonaro, contra quem passa na Universidade e  é branco (!). O mundo é assim e é por causa de gente como ela, que acha que o mundo deve algo e deve pagar com juros e correção que os outros detestam cada vez mais a esquerda. Em contato com essa turma vejo realmente que são bem "coitadinhos" na cabeça deles. Eu me lembro até hoje de um professor negro que passou um filme de terror pesado pro sétimo ano, um autista passou mal e mães reclamaram. Quando a bomba estourou, só ouvi dele: "ela fez isso porque sou negro". Não, colega. Ela fez isso porque foi inconsequente e burro. Igual à colega que parou o mestrado "porque não tem bolsa". Não, você escreve mal, colega. Escreve muito mal, aliás. Só sabe falar de feminismo bem raso, e quando a coisa aperta tem aquele comportamento de mandar a coleguinha "dar, uma porque é disso que ela precisa", não tem responsabilidade nenhuma com seu filho (com desculpa de usar Paulo Freire) e é IN-SU-POR-TÁ-VEL. Eu não devia estar feliz. Não estou porque não concluiu, mas estou feliz porque ela com certeza, no egozinho do "eu sou maravilhosa" dela tá bem ferida. E isso é bom de vez em quando, para todos nós. Ter ou não ter mestrado, ser faxineira ou político, vir ou não da favela.acordar às seis ou às dez da manhã, ninguém é melhor do que ninguém. Somos apenas espelhos do ego uns dos outros que nos mostram o que devemos melhorar em nós mesmos.

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