Ode ao ano.

Ficar sem escrever sobre o ano que passou é muito anti-clichê. E o nome do meu blog tem clichê, alors, allons-y!

2017, que ano do inferno. Acho que em janeiro, quando comecei com a resolução de morar sozinha e todo aquele discurso de "quero ser adulta", "quero ser responsável", "quero sofrer pra crescer", etc, a vida me olhou e disse: "ah, você quer ser adulta? Então vamos lá."
Perdi o amor da minha vida esse ano, meu pai. É aquela história, não sabia que doía tanto...depois dele ter tido um infarto em 2016, ter um AVC para mim parecia o mesmo que dizer que ele tava com uma espinha no nariz. Infelizmente, ele não aguentou.
Arrependimentos sobre minha relação com ele, vários. Mas talvez a principal aprendizagem foi que "a vida sem música seria um erro." Qualquer música hoje me lembra dele e eu daria minha vida para dizer que acho as músicas que ele cantava muito massa. E se pudesse, eu diria também que ele faz mais falta no mundo do que eu, se ele quisesse trocar, beleza. Mas ele se foi.
Acho que o pior foi ter de lidar com tanta coisa sem poder demonstrar tristeza, problemas financeiros, pressão no trabalho, a eterna luta contra o sobrepeso que voltou.

Mas 2017 foi importante também porque foi uma das poucas vezes na vida em que fiz algo por mim: me afastei de gente que faz mal.  A morte do meu pai foi em setembro. No primeiro semestre, eu vivi o festival da filha-da-putisse no quesito amizades. Por mais que pense que não foi minha culpa, não consigo não me culpar por ser tão dependente da aprovação dos outros pra tudo e ter deixado que essas pessoas me dominassem.Vi pessoas que se diziam meus amigos postando fotos de seu casamento, anunciando gravidez da esposa na rede, fazendo churrasco. E eu com a cara do Jim Carrey no filme Todo Poderoso, esperando receber as notícias. E não recebi.


Outro me usou pra poder usar meu cartão. Fez um arregaço com meu cartão de crédito, sem dó nem piedade. Hoje eu olho e penso como fui burra e inocente. Mas como disse, esses atos me levaram a fazer algo por mim, que foi me afastar deles e só permitir quem eu quero na minha vida. Resolução de merda, parece texto daquelas revistas de mulher frustrada, mas para mim valeu. Hoje bloqueei essa galera em todas as redes sociais e não tô nem aí. Odeio falar de perdão quando falo deles, pra mim a pessoa pede perdão ou desculpa porque convém. O maior pedido de desculpas é ser leal e manter sua palavra, não ser um bosta que se acha no direito de "ensinar" uma lição ao outro, excluindo-o de tudo com a desculpa de que "fiz pra vocês refletir". Mano, vai tomar no cu. Quem nunca acordou na vida 5 da manhã pra pegar ônibus, ficou sem almoço por falta de grana, atrasou contas porque não deu o orçamento não se encaixa no perfil de poder apontar o dedo pra mim em algo. Isso é resolução pra mim porque tô adorando não precisar da opinião de ninguém. Passei muito tempo esperando as pessoas perceberem que sou legal, que sou isso ou aquilo, esperando a autorização e o favor delas para podermos ser amigos.

Das conquistas:
1- Trabalhar na Aliança Francesa. Posso morrer em paz.
2- Ter um contato com um prof francês e quebrar o estigma de que franceses são chatos.

Das resoluções 2018:
1- Estou animada para aprender russo. Comecei sozinha e acho que tô indo bem. Me incomoda começar algo e não terminar.
2-Trabalhar menos.
3-Ler mais. Meu saldo literário foi uma vergonha.

Terminemos com poesia e homenagem ao papai: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.







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