Amor em tempos de cólera.

E...o que é o amor?
Pergunta clichê do ultra-mega-master chichenismo da categoria lugar-comum.
Existem duas obras que me fazem refletir sobre a pergunta: o filme de Hannah Arendt e o conto La chambre, de Sartre. Talvez o foco último do filme de Hannah seja sua relação com Heidegger (este sendo "acusado" de partilhar da ideologia nazista durante a segunda guerra, sendo que Hannah era judia.) Mas eu me ative a esse romance. Afinal o amor é uma construção social? Se sim, e aquela ideia de amor além do bem e do mal? Se partirmos dessa premissa do vale-tudo, o que dizer para um nazista sobre uma judia se relacionando? Essa relação é aceitável? Eu, enquanto uma pessoa que partilha da ideologia de esquerda, me relacionaria com um Bolsomito? Se não, isso é amor? Se sim, isso deve perpassar quem eu sou e em que eu acredito? Devo abrir mão de quem eu sou por quem eu supostamente amo? As ideias devem estar em segundo plano?
Já o conto La chambre explora o casal Ève e Pierre. A história se inicia com os pais da moça conversando sobre o estado psicológico de Pierre, acometido de demência. O fato de que os dois ainda tenham relações sexuais nesse contexto de doença choca os pais. Sabemos que Sartre abominava as relações burguesas em todas as suas formas. E aí nos colocamos diversas perguntas: amamos apenas quem está sempre "bem" psicologicamente, quem tem um corpo bacana, quem partilha das mesmas ideologias que eu? É fácil amar assim. Mas e se Ève  tivesse abandonado o esposo naquele momento de doença, isso ainda seria amor? Quem nunca ouviu do senso comum "você merece coisa melhor", "o fulano, fulana não era para você", e tantos outros clichês. A sociedade julga o que é melhor, os pais também com relação aos filhos. E isso é amor?

*Post em homenagem a minha irmãzinha que tem um marido considerado tudo de bom pela sociedade, ouvindo sempre que está muito gordinha  e depressiva para ele.

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