Os teachers e a cara-de-pau nossa de cada dia.

"Estes são tempos difíceis para os sonhadores."

Esta é a frase inicial de um filme francês de que não gosto muito, O fabuloso destino de Amélie Poulin. O filme, para mim, é bonitinho e só.

Mas acho que nenhuma frase ilustra tão bem o período que estou vivenciando.

Sou professora. Gosto de sê-lo, ainda que desanime muito com certas coisas.

Ultimamente, dois acontecimentos estão mexendo com meu psicológico. O primeiro é a venda da faculdade onde estudo. Está virando um açougue, com promoções sendo lançadas como num açougue. Não me incomoda que o ensino superior seja acessível, muito pelo contrário. Lógico que fazer promoção de mensalidade não resolve o problema sério da defasagem de aprendizagem que se arrasta há anos. O problema é lançar e unir as palavras promoção+mensalidade. Ensino, tanto de crianças e adolescentes quanto de adultos não é uma mera promoção. Falta uma semana para iniciar minhas aulas e não sabemos nossas aulas, sabemos apenas que nossa coordenadora saiu. Agora será um coordenador para cada mil alunos. 

Outro fator é ver como ficou "carne de vaca" dar aula. Hoje, qualquer um ou uma, em qualquer segmento se intitula professor. Na minha área, o inglês, é ainda mais gritante o absurdo. Pessoas que só por que viajam para a Disney todos os anos são teachers me dão arrepios. Gente que não conhece a realidade de uma sala com 40, 50 alunos. Gente que nunca entrou num sexto ano de escola pública. Acho que todos deveriam passar por essa experiência e só daí se intitular teacher. Dar "aulinha para turminha fofinha de criancinhas de condomínio" é uma fofura. Como disse no outro post, estou cansada dessas coisas. Muito cansada. ser professor hoje é ter coragem. Coragem de entrar numa sala sabendo que provavelmente e com muita sorte, você terá apenas 2 ou 3 prestando atenção em você. É saber que eles estão pouco se lixando se você está cansado, com cólica ou com uma vontade gigante de dar aula. Mas se você os conquista, você ganha o mundo.

Acho que esse segundo fator me irrita mais ainda do que o que se passa em minha faculdade. Muito mais. Ver gente salafrária em sala de aula, estufando o peito "porque sou professor" me ofende profissionalmente mais do que tudo. Isso sem contar aquelas situações em que você vai fazer entrevista em escola de inglês e o dono ou coordenador não fala a língua (!!!). Socorro! Estou tão cansada dessas coisas...

E o problema é que estou perdendo a paciência MUITO fácil. Sei que isso é problema. E que problema. Preciso mesmo aprender a assobiar patience do Guns, porque olhe! 

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