2015: What a lovely year!
Oito de Janeiro de 2016.
Sempre parece ter um filme para ilustrar os momentos por que estou passando. Em 2014, foi Batman-The Dark Knight Rises, com a Catwoman, me ajudando a superar o pé na bunda mais doloroso que já tomei.
E 2015 não poderia ser diferente.
O filme que usaria para ilustrar meu ano, com toda certeza, seria MAD MAX.
Furiosa: "Aqui fora tudo dói."
Aplausos!
Rá!
2015 valeu cada dia, cada minuto. Cada um. Cada aluno do Estado que me fez ver que AINDA há o vale verde com água no meio do deserto. Só precisamos enfrentar muita coisa para chegar até ele ás vezes.
Assim, Mad Max em resumo:
*Minha filha vai se chamar Furiosa;
*Tom Hardy continua gostoso, mesmo sujo e falando errado;
*Eu pegaria a Charlize Theron, mesmo ela estando careca;
*Atribuição de aulas no Estado só falta ter o guitarrista, tamanha loucura.
Sempre parece ter um filme para ilustrar os momentos por que estou passando. Em 2014, foi Batman-The Dark Knight Rises, com a Catwoman, me ajudando a superar o pé na bunda mais doloroso que já tomei.
E 2015 não poderia ser diferente.
O filme que usaria para ilustrar meu ano, com toda certeza, seria MAD MAX.
Vejo muitas pessoas criticando o filme. "Ah, não tem sentido". Claro, você levantar seis da manhã todo dia, ficar sentado por dez horas seguidas, adquirindo diabetes, se alimentando mal por causa de um papel chamado "dinheiro" tem todo sentido. Parabéns pelo argumento, campeão!
O filme, a meus olhos, é a definição da insanidade. vi no cinema pela primeira vez e simplesmente não conseguia respirar. Havia ali tantos temas de que gosto...feminismo, domínio/ manipulação da massa, destruição do mundo, alienação religiosa/política, e o assunto principal: redenção.
2015 foi meu ano de redenção.
Dentro da tempestade de areia, em meio a todo caos possível e imaginável, com carros explodindo, corpos voando, o personagem Nux diz: " What a lovely day!", antes de tentar cometer seu suicídio sagrado.
2015: what a lovely year!
Fiquei numa escola do Estado. Sim, o caos tão temido por professores de elite, com alunos que usam drogas, meninas de treze anos grávidas, nenhum tipo de apoio material, apenas com a cara e a coragem. Sobrevivi!
Dentro da tempestade de areia, em meio a todo caos possível e imaginável, com carros explodindo, corpos voando, o personagem Nux diz: " What a lovely day!", antes de tentar cometer seu suicídio sagrado.
2015: what a lovely year!
Fiquei numa escola do Estado. Sim, o caos tão temido por professores de elite, com alunos que usam drogas, meninas de treze anos grávidas, nenhum tipo de apoio material, apenas com a cara e a coragem. Sobrevivi!
Não escondo de ninguém que 2014 foi de longe um dos piores anos da minha vida profissionalmente falando: fui humilhada de todas as formas e pelos motivos mais idiotas, que todos também estão cansados de ouvir, mas de que nunca vou esquecer: porque não usava maquiagem, porque sentava no chão com as crianças, porque era tímida, enfim. Foram quatro meses no inferno. Senti-me fracassada, vi "amizades" que nunca existiram se tornando arrependimentos,sentia medo de ir trabalhar, gritaram comigo, ouvi que meu cabelo vermelho era coisa de "gente louca", que não era uma boa professora, perdi oportunidades de trabalho mais legais...
Essas pessoas são os "Immortan Joe" de cada dia. Eles existem e podem nos dominar, nos fazer acreditar que somos meros objetos, que eles nos comandam. Parece mimimi de gente socialista, mas nem é a questão aqui. Quando você vive uma situação semelhante, percebe isso. O que foi mais importante de ter percebido: eu tive em parte, responsabilidade por permitir que isso acontecesse. Ou não, talvez. Talvez se eu não tivesse visto como as pessoas gostam de poder, como elas gostam de manipular, como assumem o discurso de quem as oprime em um grau maior com relação aos seus subordinados, ainda fosse uma Alice no país das maravilhas.
"Usem maquiagem, caras professoras!"
Uma das minhas marcas é que eu, sinceramente, não acredito em desculpas. A pessoa faz, algo e ela sabe que está fazendo algo errado e ruim (falo por mim mesma também), e me irrita muito que me peçam desculpas. E mais ainda, que me perguntem "te fiz alguma coisa?" Não, imagine, Madre Teresa. Só quase me mandou para o psiquiatra por ter sido tão cretina comigo.
Mas voltando ao filme, uma das cenas de que mais gostei foi quando uma das esposas fugitivas "se arrepende" e tenta voltar. Furiosa, a líder do combioi de fuga mira e por um instante, você chega a acreditar que vai atirar na moça arrependida. Mas ela atira no capanga que está ao longe. Fabuloso. Por vezes, culpamos as pessoas inocentes por quererem permanecer em situações de merda. E por muitas vezes, a culpa não é delas. Aliás, quase nunca é, vide mulheres que dizem gostar de ser subordinadas a seus maridos. Elas não conhecem outra realidade. Como diz Furiosa a uma das amigas, Splendid, depois da última ter tomado um tiro na perna:
Furiosa:"Como está?"
Splendid: "Minha perna dói"Furiosa: "Aqui fora tudo dói."
Aplausos!
Dói crescer, e dói mesmo sair de situações que nos fazem mal. Sejam relacionamentos abusivos, empregos abusivos, família ou amizade sufocante, qualquer situação é difícil de ser deixada para trás. E ás vezes, nem precisam ser tão extremas assim. Se simplesmente não estamos felizes, ainda assim é muito difícil sair de cena.
A culpa dessas situações é de quem necessita de aplauso, de elogio vazio, de ser o querido do chefe para se sentir bem. Até que o chefe olha para você, e dando uma de Immortan Joe, simplesmente te chama de "medíocre" porque você acidentalmente tropeçou:
Rá!
E o que é a vida, senão uma grande loucura? Dar aula no nono ano que o diga! É entrar na tempestade de areia do Mad Max, com a diferença que você ainda tem uma chance de sobreviver a ela.
E a frase do ano vai para:
Sim! Aprendi da pior forma que se eu não enfrentar meus medos, traumas ou qualquer outra coisa que esteja errado, vou virar louca de pedra! E daí começam as neuroses, a depressão, a vida de merda, o enganar a si próprio. Não adianta esperar que tudo vai melhorar do nada; vejo assim o sentido da frase "hope is a mistake": é um grande engano romantizar a esperança, alimentar a "esperança passiva". Não. Nunca mais.
2015 valeu cada dia, cada minuto. Cada um. Cada aluno do Estado que me fez ver que AINDA há o vale verde com água no meio do deserto. Só precisamos enfrentar muita coisa para chegar até ele ás vezes.
Assim, Mad Max em resumo:
*Minha filha vai se chamar Furiosa;
*Tom Hardy continua gostoso, mesmo sujo e falando errado;
*Eu pegaria a Charlize Theron, mesmo ela estando careca;
*Atribuição de aulas no Estado só falta ter o guitarrista, tamanha loucura.
Comentários
Postar um comentário