Keep calm and CHAMA o T-REX de salto!

Ontem estava eu no Facebook, quando vi pela nonagésima quadragésima milionésima vez um post fazendo uma brincadeira com o filme Jurassic world, pelo fato de uma personagem correr do T-Rex de salto alto e não ser pega por ele.

É brincadeira, eu ri. Mas ao ver os comentários, vi alguns do tipo: "que lixo de filme!" "que merda, o primeiro é muito melhor",  "raptors treinados? que baboseira!" e etc.

Esses comentários me fizeram pensar sobre como essa geração (apesar de não saber se é esse o termo apropriado) perdeu a capacidade de se divertir. Sim, se divertir pura e simplesmente. 



O filme acima é bem "anos noventa": poucas explicações e resoluções de problemas (o conflito familiar fica no ar), o amor vence tudo, o mal é punido (vide o dono do parque que morre na explosão de helicóptero, o outro treinador ambicioso que é devorado pelo raptor a quem sempre chamava de animal estúpido), cenas que te deixam sem respiração (desculpe, mas se você não sentiu um mínimo de tensão na cena da jaula dos raptors, quando o treinador segura os bichinhos para que eles não comam o tratador bobão, procure um psicólogo ou psiquiatra por apatia crônica). 

Eu nasci em oitenta e seis, então cresci assistindo filmes como True lies, Terminator, Rambo, Anaconda, o fenômeno Titanic , Predador (detestava filmes de princesas e coisas do gênero) e na boa, nem por um segundo passava pela minha cabeça se era possível um cobra de vinte metros existir, se era possível cientificamente falando você se segurar na ponta de um avião enquanto seu pai detona um missil e explode terroristas (refiro-me ao filme TRUE LIES com a melhor cena de ação ever, rsrsrs), se era plausível alguém voltar do futuro (tenho pesadelo com aquele robô mau do TERMINATOR correndo atrás de mim até hoje. Sério!). E uma moça partir ao meio um par de algemas com um machado então? 

Mas hoje tudo é motivo de crítica, tudo é motivo de discurso, de chatice, de "comprovar se pode acontecer".

Quando eu era adolescente, lia uma revista sobre cinema chamada SET. Houve uma reportagem certa vez com uma passagem que carrego comigo até hoje, na qual eles rebatiam duras críticas com relação ao filme HULK de Ang Lee. As pessoas reclamavam que o mostro não era "real". A revista simplesmente lançou a pergunta: Alguém aí já viu um monstro verde? Eu não, então como posso julgar o que se vê na tela? Eu nunca vi um Hulk, nunca corri de um T-REX de salto alto, nunca precisei salvar ninguém de um navio afundando, então não posso dizer como é. É ficção, que tal a gente desligar e se divertir um pouco?

Há alguns meses, tivemos o "auê" em torno do filme "50 tons de cinza". Concordo que o filme seja nocivo, por eu estar mais em contato com ideias feministas esses tempos. Mas houve um post de uma autora muito famosa que me fez parar de militar contra o filme : ninguém menos que Anne Rice, a autora de "Entrevista com o Vampiro". Ela simplesmente disse "gente, é apenas uma fantasia." E qualquer um que a rebatesse, ela simplesmente respondia: "Gente é uma fantasia. Ninguém controla nossas fantasias."

Será que todo relacionamento é perfeito? Será que em nenhum momento o homem não solta algo machista (sem querer)? Será que a mulher nunca faz nada por submissão (insisto, sem perceber)? Não digo que é certo ou errado, mas será que essas coisas não acontecem simplesmente? 

Tudo isso me incomoda porque quando se trata de assunto sério, como política, o que as pessoas fazem? Criam adesivos vexatórios com figuras públicas e importantes; transformam tudo em piada, no máximo se comparando aos EUA; chamam o político da oposição de drogado/cachaceiro; ofendem meio mundo com palavras torpes. Política é um assunto seríssimo, pois nossas escolhas dentro dela refletem diretamente em nós. Que tal ser mais maduro, aprender como o sistema funciona em questões de lei para poder criticar sem falar asneiras do tipo "Volta, regime militar!"? Que tal tratar como diversão o que é diversão e com seriedade o que é importante?

Isso sim é inversão de valores para mim. Para fechar, vamos de Anne Frank:

"Gostaria de dizer isto: acho estranho os adultos discutirem tão facilmente e com tanta frequência sobre coisas tão mesquinhas. Até agora eu achava que birra era uma coisa de criança e que a gente superava quando crescia." O Diário de Anne Frank.

Ah, e sobre os raptors: quem nunca sonhou em ter um de estimação? E se prestar bem atenção, eles não eram tão submissos e robóticos assim. Na primeira cena, eles estão na jaula e o treinador comanda de longe, joga comida de longe, fala com eles de longe. A cena na qual ele confronta os dinos foi mero acidente. 

Li que a Indominus Rex teve uma "morte idiota". Fácil resolver, escreva você uma morte melhor, campeão, e manda pro Spielberg. Quem sabe você dirige o próximo. Adorei o filme e adoro Fast Food de Hollywood, sempre!


 Cena do filme True Lies: épico!




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