Sobre os papéis que assumimos.


Hoje é domingo e devido ao fato de estar meio saturada de Facebook fiquei zapeando pela TV e me deparei com um programa chamado " I wanna marry Harry" (em português é "Eu quero me casar com Harry").

Nele, o príncipe Harry é confinado em uma mansão com doze garotas e pretende achar sua "princesa". Só que o que elas não sabem é que se trata de um sósia, que se chama Mat.

Acho que vi um episódio e ali está reunido tudo o que podemos imaginar no que diz respeito a feminismo, machismo, submissão e o principal: fazer papel de idiota.

Sim, todos ali fazem papel de idiota. Inclusive eu por ter visto, hahahahahahaha

Desde as meninas, que se agridem verbalmente a todo momento, até o pseudo-drama do sósia que tem receio sobre quando a escolhida descobrir sua identidade humilde e que ele não é da realeza.

Nessa onda de feminismo, poderia se dizer  que a culpa não é das garotas. Para mim é cinquenta-cinquenta. Alguém que se presta a um papel imbecil de ficar em uma banheira de biquíni com um cara enquanto ele flerta com todas as outras é pedir para ser taxada de imbecil. Mas a responsabilidade da escolha é delas também, como disse. Partindo do princípio de que eu sou monogâmica, claro. Quem não é, tudo bem. Cada um sabe de si.

O que achei interessante é que havia uma garota supostamente desconfiada da identidade do garoto e em um momento a sós, faz inúmeras perguntas e ele começa a ficar desconcertado. Ao mesmo tempo, há a garotinha de personalidade doce, frágil e de voz de fada. Ao ter de escolher entre eliminar uma das duas, adivinhem quem é eliminada? Simmmm, a garota das perguntas, a questionadora. Não acho que esse tipo de programa seja verdade, mas mostra muita coisa sobre os papéis que escolhemos em um relacionamento. Quantas vezes deixamos de questionar, perguntar, comentar sobre algo de que desconfiamos e não o fazemos por medo de a pessoa se irritar e nos deixar? Acho que quase todos passamos por isso, principalmente quando se é mulher e se é ensinada a ficar quieta quando vemos algo de errado e que nos magoa .  A garota submissa é então convidada para a suíte real e no dia seguinte tem um encontro "super fofo" numa lanchonete simples e mais uma vez o "príncipe" começa com o mimimi de "ser quem se é", sobre como ele se sente mais à vontade em ambientes menos glamourosos, etc. Meu, que saco. Que merda. Que clichê!

E lógico que as garotas agridem umas às outras com os termos dóceis de "vadia gorda", "caipira", "cadela, quero ver ela eliminada", "grudenta-psicótica" ao invés de perceberem que fazem papel de trouxa na frente do moço porque ELE gosta de ver a disputa.

O melhor é o narrador  de dois em dois minutos anunciando competições de nível de degradação do Pânico: "...e agora, nossas garotas vão desfilar de biquíni molhado, tocar piano com os pés, comer hambúrger com a mão, brincar de esconde-esconde de lingerie, e blá blá blá com nosso falso príncipe." 

As pessoas não percebem como se auto-destroem ao aceitarem comportamentos com os quais não concordam.

Enfim, é triste ver a que ponto chegamos para sermos aceitos e por medo de fracasso. Não podemos falhar, temos de ser racionais, adultos e pontuais em relacionamentos o tempo todo. Ciúmes é algo proibido, mesmo que seu parceiro te desrespeite abertamente e que não seja ciúmes propriamente dito, mas sim um pedido desesperado de "respeite quem eu sou como pessoa antes de tudo."

Socorroooo!!!



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