Sobre a lei do silêncio

Sou uma pessoa calada.

Muito calada mesmo. Minha mãe sempre fala isso, seja para mim ou para os outros, em minha presença ou não.

Há explicações psicológicas diversas, como o fato de eu ter uma irmã que sempre se destacou em tudo o que fez e que faz parecer o que eu conisgo um lixo. Mas na boa, saí dessa vida faz tempo. As conquistas dela são as conquistas dela e as minhas são minha responsabilidade. Simples assim. Não se pode culpar o mundo por consequências de nossas escolhas. Fui muito irresponsável em várias coisas na vida, às vezes por querer ou sem-querer. Hoje vejo que tenho de ter mais zelo, por mim mesma.

Outro fator: acho que por eu ser a mais nova de casa e portanto estar mais em contato com o "mundo" e essa vibe de Face, twitter, etc tenho contatos com pessoas de todas as tribos. E como às vezes meus pais discordam disso, eu me calo. Eu penso assim: eu moro com eles, dependo deles para muita coisa, e eles têm direito a ter uma opinião. O contexto deles é outro, não julgo jamais como antiquado. Enfim, o foco não é esse. Eu respeito e pronto. Já tive fases rebeldes, mas na boa, agressividade gratuita não combina comigo.

Tudo isso para dizer que sou uma pessoa calada.

As pessoas às vezes não imaginam o quanto eu observo.

Ano passado foi o estopim do meu silêncio. Hoje eu vejo que meu silêncio nesse caso mais me prejudicou do que ajudou.

Ano passado tive a chance de ter um emprego dos sonhos: trabalhar com os pequenos e ganhar bem (finalmente). Mas no meu caso, o desenrolar da história pareceu um romance do Balzac ("Ilusões perdidas" no caso)
.
Confiava muito em uma pessoa. Muito mesmo. Tinha um medo absurdo de a decepcionar.
E foi ela quem me chamou para esse emprego.

O que vivi lá foi a personificação do inferno com relaçaõ a minhas ideologias.

Essa pessoa foi um exemplo de como as pessoas mudam quando têm poder, ou quanndo se sentem acuadas (adoro usar essa palavra depois de estudar Filosofia da Linguagem, hahaaha).

Minha mãe nunca deu enfoque aqui em casa para coisas relacioandas a beleza, como maquiagem, cabelos impecáveis, unhas feitas sempre e tudo isso. Graças a Deus, crescemos achando que a coleção inteira da série Vaga-lume era o melhor tesouro do mundo.

E lá nesse emprego, uma escola no caso, uma das primeiras ordens que recebi foi "cabelo impecável" sempre. Ok. Levei na esportiva.

Até que começou um show de chamadas de atenção porque eu não estava maquiada, porque eu não tinha "postura", etc. Um dia, me lembro até agora com lágrimas nos olhos, fui escovar os dentes de um dos pequenos e molhou minha camiseta sem querer. Achei que a pessoa em questão ia ter um infarto porque a "chefe-mor" ia ver.

Gente, foi um acidente!

E assim foi. Eu reprimindo tudo aquilo. Chorei muito por me sentir feia e desarrumada. Tentei conversar com ela uma dia e como sempre, eu entendi a situação.

Mas depois a coisa só foi piorando. Sabe perder o tesão? É a pior coisa do mundo. E eu perdi.

Trabalhávamos juntas em outra escola e diversas vezes ela usou a "amizade" em troca de favores. Diversas. Por exemplo, eu com dois emprego que me tomavam quase doze horas no dia e faculdade de noite. Trabalhar no sábado até 12:45. Eu quis tentar diminuir as horas trabalhadas, mas não pude porque "se não quem iria se queimar era ela".

E foi indo.

Até que o golpe final foi que no fim do ano a pessoa e eu fomos demitidas, com todas as outras pessoas porque a escola não conseguiu crescer o suficente. E aí, ela simpelsmente tirou meus horários de trabalho do outro emprego também porque aí ela ia ter de mostrar competência e eficiência que não mostrou o ano todo.

Segurei aquilo dentro de mim. mas o que mais me impressionou foi algo que uma pessoa que trabalhava comigo na época disse: "Cuidado com pessoas que se vitimizam." Aquilo foi como rasgar meus olhos.. De verdade. A partir daquele dia comecei a observar e ver que tudo era motivo de choro, de dizer "olha que dó de mim, ninguém faz o que eu faço", "todo mundo vai embora mais cedo e só eu fico aqui até tarde, que dó de mim", etc

Não sei se minha geração tem uma visão diferente sobre trabalho, mas eu penso assim: trabalho é trabalho. Trabalho é um trabalho. Sim, é responsabilidade, é dedicação, mas é trabalho. Mais do que isso é exploração.  Quero ter tempo para mim, para meu namorado e família.  Quero poder ir ao cinema sem me preocupar com celular ligado. Quero ter meu fim-de-semana livre.

Até o dia em que vi que se continuasse com aquilo, seria pior. E decidi sair.

Estava temorosa pelo dia em que contaria para minha mãe querida. Mas ela entendeu, ficou do meu lado.

E tirei 2015 para fazer o que eu quero fazer no campo profissional. Não tem "amizade" que vá me fazer me matar de trabalhar e ainda por cima, me humilhar. Não tem "amizade" que vai me dizer como me comportar. Ontem decidi que não quero esse tipo de passoa tóxica em minha vida. Cortei relações  de vez. É um exagero, mas quando ouço o nome da pessoa em questão, sinto vontade de surtar, de bater na parede, de chorar (como agora).

Nós não conhecemos as pessoas. Parece que quem mais tem nossa confiança mais nos decepciona. A vida é assim, ensinando que não é qualquer sorriso que deve nos seduzir.

Hoje dedico meu silêncio a essas pessoas que me machucaram de alguma forma, por minha culpa na maioria das vezes e porque elas quiseram.

Meu silêncio apra vocês que são duas-caras e se acham as pessoas mais corretas e éticas do mundo.

Meu silêncio para vocês que falam por trás de todo mundo e depois ficam enlouquecidas se alguém faz o  mesmo com vocês.

Meu silêncio para você que se vitimiza porque adora confete sobre como você é coitadinha.

Meu silêncio para você que cobra psotura e não tem nenhuma ética, falando coisas íntimas e todo mundo.


Silêncio é o termo social, porque na verdade, quero dizer desprezo.

Feliz 2015!








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