Reflexões sobre Feminismo (parte 1)
Entrei em contato com o Feminismo de forma mais aprofundada ano passado.
A gente sempre começa com os "clichês": Simone de Beauvoir, Gloria Steinem, e as mais recentes Regina Navarro Lins e Nádia Lapa.
Mas confesso que quem chegou mais perto de me cativar foi a Nádia. Sabe aquele feeling do " Fui com a cara"? Bem por aí. A Regina Navarro acho que tem um discurso perigoso. Se você prestar atenção, ela sempre diz "as pessoas querem casamento aberto", "traição é algo que não existe", "casamento é algo do passado" etc. Ela declara meio como imposição e isso pode dar margem para maridos dominantes usarem isso como argumento "Tá vendo, isso é normal, você que é retrógrada." Enfim, visão minha. Não gosto dela.
Sigo diversas páginas no Face e elas me deram uma boa base em diversos aspectos.
Sempre digo que se tivesse conhecido essas ideias antes, teria sofrido bem menos com relacionamentos, opiniões alheias sobre meu peso, etc.
Mas acho que o que me atrai mais no Feminismo é seu carácter sociológico. Você perceber que realmente a mulher ganha menos, que a sociedade espera um certo comportamento seu, que você é julgada por roupas e cabelo, etc, acho interessante para saber combater e se preparar quando ouvir asneira. Perceber a ideologia quando se diz que "você bate como mulherzinha", "Não seja florzinha", etc é revelador.
Mas confesso que não gosto do Feminismo romântico: passeata, manifestação sem roupa, simulação de atos sexuais em frente a igrejas, ou através de charges, sei lá, isso é meio tabu pra mim ainda. Acho um feminismo que faz com os outros o que fizeram conosco. É legal até certo ponto, mas seria a solução?
Outro dia li um post não me lembro onde, de uma garota que dizia que sendo feminista não devemos nos achar superior umas às outras se por exemplo, eu prefiro ler e outra prefere malhar na academia e se preocupar com a cor do jeans. "Ah, é culpa do sistema".
Não discordo disso. Mas será que também não fica meio cômodo ter em quem colocar a culpa? Sei lá, só questionando mesmo. Essa ideia me veio há uns dias. Se você acessa páginas de esportes/musculação no Facebook ( eu o faço para ter dicas de receitas), é uma agressão por parte dessas meninas fitness com relação a mulheres acima do peso que dá vontade de responder cinco vezes pior. E é aí que me pergunto até que ponto é culpa APENAS do sistema. Será que as pessoas não gostom de humilhar umas às outras quando em vantagem? E sim, infelizmente, me sinto muito superior por que leio Mia Couto, Saramago, Machado de Assis antes de dormir. Acho que essa é minha briga, se as pessoas lessem mais (até mesmo na academia, por que não?) acho que seria um Feminismo mais cercado intelectualmente falando. Mas talvez seja utopia de minha parte também.
Sou feminista por mim mesma. Como disse, senti que melhorei muito em auto-estima e tudo o mais, mesmo que pouco. Outro dia disse que minha feminista favorita é Lisbeth Salander, protagonista da série de livros Millenium. Ela tem muitas ideias semelhantes a mim, e também vivemos situações mais ou menos parecidas. Mas não existe (mero detalhe). Quem sabe ainda descubro alguém mais próximo de mim e de minha realidade, porque sinceramente, acreditar em algo e não viver aquilo é furada.

Comentários
Postar um comentário