Assunto adulto: cinquenta tons de cinza.
Sou apaixonada por Law and Ordewr: SVU. Acabei de ver três episódios e o tema central da série é abuso sexual/emocional/físico, tanto contra mulheres como contra crianças. Já houve alguns episódios em que as vítimas eram homens, foi bem interessante também
Juntando isso com a "vibe feminista" que assola a internet e com o fato de que fevereiro nos trará a estreia do filme "Cinquenta tons de cinza" temos a receita para fazer o caldo ferver e até explodir.
Acabei de ler este artigo :http://everydayfeminism.com/2015/01/myths-about-bdsm/ e o achei bem interessante. Pena que está em inglês, mas posso traduzir se alguém se interessar.
Começo ratificando que vejo duas perspectivas no feminismo: aquela que nos dá evidencias e nos faz raciocinar sobre como tudo nos afeta se somos mulheres (salários menores, obrigações de casa, obrigações estéticas, etc) e a "corrente romântica", as mulheres que fazem topless em praia, em passeata, etc. Achava que eu não podia ser feminista por não concordar com essas práticas de nudez, mas ontem li outro post muito bom que me ajudou nessa parte: https://www.facebook.com/blogueirasfeministas/posts/744661522269986.
Adorei que finalmente pude ler algo em que estava pensando há tempos; o ser humano é contraditório na maioria das vezes. Como assim? Posso me considerar feminista e mesmo assim achar que é obrigação do cara pagar a conta do restaurante (só um exemplo, por favor). É certo? Perante o feminismo não. Posso ser feminista e ficar muito chateada se não ouço elogio na rua? De acordo com o feminismo que ando vendo não. Mas tem um problema aí que as pessoas ignoram e que está bem tratado no texto: o inconsciente. O ser humano é feito de pulsões e todo aquele vocabulário psico-blá blá sobre o qual não arrisco falar. Mas o que eu quero dizer é que às vezes julgamos e a sexualidade humana é um campo muito vasto para ser classificado como A e B. Posso ser hétero e ter fantasias com mulheres. Cabe a mim decidir se vale a pena levar pra frente ou ficar só no campo da "imagination nasty drawer" (termo inventado pro mim.) Enfim, achei bem coerente o texto justamente por ele tratar da incoerência que é o ser humano. Quem sabe eu ache ou eu mesma escreva algo mais profundo um dia.
E tanto rodeio para chegar ao livro/filme "Cinquenta tons de cinza".
A mocinha é virgem e acaba se apaixonando pelo milionário praticante de BDSM Christian Grey.
Eles têm um romance tórrido que se desenrola por três livros.
Eu li o primeiro e na época gostei. Depois o tempo passou e vi que foi uma dessa bobagens de adolescência tardia da minha vida. Não tenho vontade de ler os outros.
Mas o fato é que depois de ler o livro fiz algo que quase ninguém sabe, a nãos ser meus amigos mais próximos da época. Fiz uma conta em uma rede social de relacionamento BDSM. Estava me lembrando disso esses dias e uma das conclusões que tive foi que não foi uma experiencia de todo ruim. Tem o cara babaca que acha que vai te ver sem roupa na cam? Lógico, isso até na rua tem. Mas de longe, fui bem menos assediada lá do que no Face. Aliás, aconteceu acho que uma vez de um cara ser grosso e foi excluído imediatamente. No geral, a galera foi muito respeitosa, pelo menos com quem falei. Mas enjoei e não tenho mais conta lá, e também não estou com curiosidade como estava em tal momento.
O BDSM é muito mais do que o livro propõe, óbvio. Começando pelo fato de que eles, os praticantes, não são necessariamente pessoas perturbadas que vão querer introduzir lâmpadas ou rolos de macarrão em você porque tiveram pais viciados em drogas. Tinha uma garota de quem me lembro até hoje, de longe uma das garotas mais cults que já conheci. Ela era uma devoradora de livros, comparava traduções, escrevia contos e fazia tiradas sensacionais. Tá,ela também tirava fotos sensuais, e era linda. Enfim, uma garota "normal". Antes de tudo, o que eu pude apreender é que NUNCA, como no livro, um homem (ou mulher) vai querer te transformar do nada no sub dele ou dela. É necessário muito consentimento e confiança. Muito mesmo. A pessoa tem de expressar desejo por aquilo. Reitero que falo dos praticantes sérios. E por sinal ficavam muito fulos se alguém falasse que tinha conta lá apenas pelo livro. E há vários "níveis": você pode ser um voyeur, um sub, uma dominatrix, etc e gostar desde "apenas" algo leve até algo hardcore.
Mas é aquilo que se entrelaça com o que vi em um episódio do SVU hoje, que engloba o livro e até o feminismo. Até onde vai o consentimento genuíno? É possível uma mulher ou homem gostar de ser amordaçado(a) e açoitado(a) verdadeiramente? Até onde vai a sinceridade do "sim" e do "não" nos relacionamentos? Faço essas questões de verdade, pois às vezes acho que tenho uma resposta, mas aí vejo que não. Ser feminista é ter um relacionamento aberto, pois não devo ver outras como concorrência? Sinto muito, isto está totalmente descartado em minha vida. Caretice? Repressão? Pode ser. Mas não pra mim. Talvez seja isso a minha briga com o Feminismo também. "Você que é mulher tem que se masturbar", "você que é mulher tem que fazer topless" Sei lá. E se eu me sinto constrangida com o nudez? Qual o problema? São anos ouvindo o contrário e de repente exige-se que a postura seja mudada. Não seria uma imposição também?E a tal da sororidade? Desculpem, comigo não rola. Se eu vejo meu namorado com graça com outra, a culpa é dele, óbvio e fim de caso. Mas e se eu vejo outras garotas paquerando meu namorado? Vou defender? Sinto muito, mas não. A culpa é do sistema que faz com que nos vejamos como concorrentes? Acho que a galera já é grandinha pra brincar de assumir consequências.
Enfim, são meus blefes.
Com relação ao BDSM, só tenho um conselho: como em tantos outros assuntos-tabus na vida, leia, se informe, pesquise (mas não pratique, só se quiser muito mesmo. Recomendo ver bem antes). Estou cansada de gente falando asneira sem ao menos ter lido algo mais específico antes e que se deixa levar por romancezinho bestseller (aliás,que se deixa levar pelos dois lados, pelo "encantamento" que é perigoso e que pode jogar alguém numa casa de swing e aí ter a pior experiência da vida ou que condena os praticantes como se eles fossem doentes.
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