Um casal não muito clichê.
Junho é o mês dos namorados e vamos falar dos casais do cinema e dos livros mais interessantes.
Começando pela trilogia Millenium.
Li o livro "Millennium: os homens que não amavam as mulheres" há mais ou menos dois meses e estava já preparando um post. Aqui misturei notas sobre os filmes e os livros, não vi necessidade de separar.
Sempre tive muito preconceito com os livros de estilo best seller.
E consegui reverter isso graças a essa coleção. Ela é boa? Para mim foi magnífica por alguns motivos:
1- Passei a ver a profissão de jornalista sob outra ótica: como uma profissão que tem seus perrengues e questionamentos éticos. Jornalistas não são apenas um monte de gente querendo fotografar artista sem calcinha.
2- A heroína é totalmente fora dos padrões de um jeito não-clichê. E não se redime por isso.
3- O tema de abuso sexual é explorado sem muito dó, com direito a estupro da mocinha principal, o que é raro acontecer. Ela é sempre salva nos últimos minutos ou tem um final recompensador do tipo casar com o milionário.
O começo do livro para mim não foi lá muito empolgante, mas como havia visto os filmes antes, sabia que não seria ruim. Assisto e leio muito sobre serial killers e talvez o negócio ficou meio batido para mim. Mas para quem gosta, tem todos os ingredientes: mortes macabras, porões sinistros, gente misteriosa e sem escrúpulo, informações confidenciais rolando por todo lado, etc.
Para iniciar, sou apaixonada por Lisbeth em todos os sentidos.
Talvez veja nela uma força que sei que tenho, mas não sei onde.
Ser freak em livros é uma delícia. Porém, na vida real, a banda toca bem diferente. O simples fato de ser mulher é algo às vezes bem complicado.
A passagem do livro na qual ela se deita com Mikael pela primeira vez é uma das mais tocantes. Geralmente, há aquela descrição fofa e melosa dos toques, do beijos e do sexo . Falar sobre vergonha, timidez, insegurança, nada. Ali, Lisbeth demonstra sua fragilidade, morre de vergonha porque seus seios são pequenos e porque ela é muito magra, causando desconforto. A cena acontece rapidamente no livro, sem o blá blá blá de "tirou sua roupa lentamente, beijou seu corpo, sua pele era macia, etc etc". Ah, e sem contar que é ela quem parte para cima dele.
O abuso de Lisbeth por parte do psicólogo é interessante porque é algo gradativo. Ele começa com olhares, encaradas, depois apalpadas e vai para o ato em si. Um ótimo alerta para mulheres.
Achei legal o fato do autor colocar informações e estatísticas sobre abusos de mulheres na Suécia. Aqui no Brasil é um tal de achar que em outros países todo mundo é mais bonito, mais feliz, mais seguro, mais loiro e mais rico que dá asco.
Mikael e Lisbeth têm, para mim, um relacionamento dos mais diferentes e ao mesmo tempo, perfeito.
Eles estão juntos, mas não estão.
Eles são, antes de tudo, amigos. Nunca entendi muito relacionamentos onde existe a divisão amigos/ parceiro. Lisbeth vê Mikael como alguém em quem pode confiar, como amigo antes de tudo.
Eu não confio facilmente nas pessoas. E geralmente não me frustro nessa.
O que eu e Lisbteh temos muito em comum é o fato de observarmos MUITO as coisas e as pessoas. E de permanecermos caladas diante de fatos. No fim do primeiro livro, quando ela vê Mikael com outra mulher, ela simplesmente some. Eu faço isso diante de situações nas quais vejo algo que não posso mudar. Tenho a síndrome do "estou incomodando e estão todos de saco cheio de mim, vou vazar." E síndrome mesmo, não é mimimi.
Meus trechos selecionados dessa parte:
"Ela duvidava de si mesma. Mikael Blomkvist viva num mundo habitado por pessoas com profissões respeitáveis, que tinham vidas organizadas e talentos de gente adulta. Os amigos de Mikael faziam coisas, apareciam na TV e produziam grandes manchetes. Para que eu serviria? O maior medo de Lisbeth Salander, tão grande e negro que assumia proporções fóbicas, era que as pessoas rissem de seus sentimentos."
"Salander, que ridícula, que idiota você é!, disse a si mesma em voz alta."
Vi os filmes suecos e o americanos, gostei de todos, mesmo vendo que eles têm seus pontos bons e ruins.
Os filmes suecos têm atuações às vezes sofríveis, há momentos que pareciam pedir uma trilha sonora mais tensa e nada. Mas entendi depois que é o jeito não-hollywoodiano de fazer as coisas: sem muito espetáculo, até porque na vida, não toca Scorpions de fundo quando levamos um fora. O Mikael sueco é gordinho e flácido, por exemplo: achei isso fantástico. Mais real, mais gente como a gente. Lógico que não precisamos dispensar o Daniel Craig, né gente? ;)
Lisbeth é agressiva, não perdoa e não se vitimiza. Ela sabe botar um terror como ninguém.
Não li o segundo e o terceiro livro, mas pelo que vi nos filmes o volume dois é mais envolvendo questões políticas e no três temos o julgamento de Lisbeth.
Recomendo o livro e os filmes.

não resistiu ao clichê ne danada rs
ResponderExcluirMoça, vou ler com calma... analisar/elaborar uma critica.
ResponderExcluirkkkkk
Preparada?