Prestígio da Ciência.
Ontem, vi no Facebook uma piadinha. É a foto de Willy Wonka e os dizeres:
" O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sima ilusão do conhecimento." S.H
* Não pretendo entrar no mérito pró-vida ou pró-aborto. Apenas expondo um exemplo.
Ri muito, confesso.
Lembro-me de uma frase que seguia a linha Cristã, algo como " O Titanic afundou mesmo sendo construído por centenas de homens experientes. E a Arca de Noé não afundou, mesmo tendo sido construída por um amador."
Um dia me disseram isso e respondi: "Com a pequena diferença de que o Titanic, REALMENTE existiu."
Estas são piadinhas que ofendem uns; eu, sinceramente, rio, sem querer agredir ninguém.
Não vou expor minha crença/não-crença aqui, talvez em outro momento.
Mas isto me lembrou de um diálogo domingo passado, durante o qual meu pai perguntou à mesa de almoço se a gente realmente acreditava em Arca de Nóe, Mar Vermelho Dividido, essas coisas.
E uma pessoa presente disse: "Sim, é verdade. Há provas científicas sobre isso."
Mal sabe ela a viagem que isso causou em mim.
Vi ali, primeiramente, estampado o prestígio de que goza a ciência.
Se algo foi comprovado CIENTIFICAMENTE, então é digno de nota. A comunidade científica possui uma alteza, uma autoridade, um brilho únicos.
Esse ponto chega a ser irônico. Então a religião precisa da ciência para se fundamentar? A fé, a ideia de que "não vejo mas acredito" não é a essência da religião?
Vejo o seguinte pensamento implícito: a ciência não erra nunca. A ciência existe para tudo fundamentar, corroborar, corrigir. E pergunto: alguém aí se lembra da galera que provou que os negros eram COMPROVADAMENTE inferiores aos brancos, devido a testes, experiências, e tudo o mais?
Vejo isso com o uso de remédios. Tenho dores de cabeça constantes. E nunca me questionei sobre o por que de tomar determinado remédio. Apenas sinto dor, vou lá e tomo. Simples assim. Porque eu acredito piamente que aquilo vai me curar. Aí temos o ponto da ciência como religião. Não sei o que são os compostos químicos ali presentes, onde eles agem, mas eu uso porque apenas sei que é bom.
Outro ponto que me chama tenção também são pesquisas.
Houve um caso curioso há uns quinze dias, com relação a uma pesquisa do Ipea. Segundo a mesma, uma determinada porcentagem da população brasileira achava justo uma mulher ser assediada se a mesma usasse roupas curtas ou provocantes. Foi uma polêmica em tudo oque é rede social. E eis que dias depois, reconsideraram e mudaram o resultado da pesquisa. Pesquisas são outro ponto complicado. Por exemplo: se pegarmos vinte pessoas para um estudo científico, que após comerem doce antes do almoço, se sentiram mais saciadas, pronto "Estudo diz que comer doce antes do almoço ajuda a comer menos." A generalização da Ciência às vezes me assusta. Por eu ter sobre-peso, quando médicos medem minha pressão, eles se assustam, pois ela é cravada 11/8. Só faltam me falar: " Você é gorda, sua pressão tem de ser alta."
Outro assunto que gostaria de abordar é que temos a tendência de associar Ciência com números, tubos de ensaio, fórmulas, compostos químicos, enfim, tudo o que nos remete às chamadas "Ciências Exatas".
E as Ciências Humanas?
Li em um livro sobre Teoria literária (autor Roberto Acízelo) uma pontuação muito interessante diante da questão: "Por que não se considera Teoria da Literatura uma Ciência?". A resposta mais comum é que a primeira é subjetiva e a segunda objetiva. Pois bem.
O autor diz algo para refletirmos. Não seria uma espécie de subjetividade a discussão sobre onde começa a vida? Ou mesmo sobre o que é a vida? Alguns cientistas dizem que um feto não é uma vida. E uma molécula ou gota de água em outro planeta o é*.
E mesmo o nome Ciências Humanas/Exatas me dá a impressão de que as Ciências Exatas não dizem respeito ao homem, como se até mesmo não fosse feita por ele e como se ele não fosse atingido por ela.
Enfim, para fechar, minha referência no assunto é o Stephen Hawking: sou apaixonada por ele, tanto pelas suas dificuldades físicas superadas e também pelas coisas que aprendo com ele. Por exemplo: nunca podemos dizer Quem come muito doce sempre vai ter diabetes!" E sim: quem come muito doce provavelmente vai desenvolver diabetes. Esta construção é muito mais agradável, muito menos determinista.
* Não pretendo entrar no mérito pró-vida ou pró-aborto. Apenas expondo um exemplo.


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