Cabelo de vassoura.

Ultimamente tenho relido bastante coisa sobre o Feminismo.

Algumas coisas me encantam, outras ainda acho meio exagero.
Semana passada, houve uma polêmica no programa do Faustão quando ele se referiu ao cabelo de uma dançarina como "cabelo de vassoura de bruxa". O mesmo já se desculpou, dizendo que se referia à cor do cabelo (?).
Páginas no Face estão bombando, com opiniões contra e a favor do Faustão.

Eu começo dizendo: queria ter uma cabelo daquele para mim!

Assisti a um vídeo no Ted Talks há um mês mais ou menos sobre violência doméstica. Sempre nos perguntamos por que a mulher agredida não vai embora, por que ela não denuncia o marido, por que isso ou aquilo. Eu parto do princípio de que não podemos ninguém. Dá medo sim. Medo de perder os filhos, medo de não achar um cara de novo (absurdo, eu sei, mas a maioria foi criada assim), medo de não conseguir se reconstruir emocionalmente e até financeiramente. A moça do vídeo deu uma resposta peculiar sobre o por que as agredidas permanecem com os companheiros: porque elas simplesmente não sabem que estão em um relacionamento abusivo. Achei interessantíssima a resposta. Eis o vídeo: https://www.ted.com/talks/leslie_morgan_steiner_why_domestic_violence_victims_don_t_leave

E consegui ver uma pequena linha quase invisível sobre o caso Faustão e a fala dessa mulher, que teve um revólver apontado em sua cabela por anos. As pessoas acham que ser racista ou ter qualquer outro tipo de preconceito é sair na rua falando : "Oi, tudo bem? Sou preconceituoso, não gosto de gays, gordos e negros." Tem gente assim, com certeza. Mas esses preconceitos, geralemente estão todos tão sutilmente embutidos em tudo o que  vemos, assistimos, lemos e usamos que não percebemos que somos preconceituosos.

Não é defesa de Fausto Silva, muito pelo contrário. Figuras públicas devem tomar sim muito cuidado com o que falam. MUITO CUIDADO. Digo isso porque sou professora e tomo esse cuidado, e sei como é quando um professor diz algo e te destrói. Faustão foi muito infeliz, mas o negócio está tão enraizado no nosso dia-a-dia-, se tornou tão banal, que não duvido que ele realmente não saiba que o que disse foi um mega absurdo, ou que existam pessoas que o defendam.

Falo isso porque cresci ouvindo que meu cabelo é ruim, é feio, sem forma. Que não posso usar roupas com listras horizontais porque elas me engordam mais ainda, que pintar o cabelo de vermelho fica bom em mim porque sou "bem branquinha". Cresci ouvindo essas coisas e acreditando que é realmente aquilo. Ouvi de pessoas que dizem que gostam de mim, e não acredito que seja mentira. O problema é a brincadeira, o sarcasmo que acaba ultrapassando os limites, chegando em rede nacional. Aí todo mundo se espanta, faz cara de "Oh! Que horror!" Como no caso da professora da PUC que tirou a foto do advogado no aeroporto, zombando porque ele estava de shorts. Corretíssimo ela ter sido expulsa. Porém, e as brincadeiras que vejo no Facebook todos os dias, com pessoas sem dentes, sujas, gordas e em poses vexatórias com brincadeiras como "Procuro um namorado, quem quer?", " Bêbado até um(a) desse(a)s vai." Aí é permitido por quê?

Não entendi, produção!







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