Inception/ Neurose do "Não"

                  As poucas pessoas que me conhecem sabem o quanto amo cinema. Amo de verdade, e até penso em fazer um estudo acadêmico sobre isso um dia. Acho maravilhoso contar histórias, os bastidores, ver os efeitos. E o fato é que certos filmes me fazem viajar. Mas não viajar de um jeito normal. E deve até ser um problema psicológico, pois já fiz coisas baseadas em filmes. Em 2011 meu namoro afundou porque quis brincar de Titanic (sem trocadilho). E vi que na vida real, infelizmente depois que tudo acaba, quem esteve participando do enredo com você não vai desfilar no tapete vermelho e tirar fotos mostrando que tudo passou e que todo mundo é lindo e amigo atrás das câmeras. Há amargura, há dor, raiva…nunca me esqueço do dia em que minha irmã veio depois do ocorrido e me disse ”O seu problema é achar que a vida é clipe da MTV.” Na mosca! Sim, é estúpido, mas Titanic mexeu comigo nesse nível. Algo parecia se ligar, se acender dentro de mim quando o via, algo parecia tomar conta de mim. Louco? Não. Para mim, gente anoréxica é louca, eu só sou meio frustrada, rsrsrs… 
                  E ontem eis que vejo, meio sem querer, o filme Inception, em português “ A origem”. E de novo, precisei tomar cuidado, pois algo se acendeu dentro de mim. Um sentimento perigoso e estranho que pode ser traduzido por: “COMO EU QUERIA TER VIVIDO ESSA HISTÓRIA!” E depois me perguntei: será que não vivi isso? O que acendeu em mim esse sentimento e a vontade de escrever foi a cena do Leonardo Di Caprio falando com a projeção de sua esposa, na cena final: “E você, com todo respeito, não chega à altura da Mal”. Gente, aquilo me arrepiou. Arrepiou que eu me levantei e fiquei assistindo o resto do filme em pé depois. E se você acha que tinha lido só clichê até agora, espera o que vem agora, rsrsrs… Quem nunca teve uma Mal na vida? Gente, desculpa. É clichê, eu sei, mas PRECISO escrever sobre isso. Eu já tive minha, ou melhor, meu Mal há uns três anos . Aquela pessoa, ou melhor, a projeção, a ideia da pessoa, aquele ser que construímos e não tem NADA a ver com a realidade. Nesse caso, era o contrário do filme.                  O que mais me tocou foi ver a personagem do Leonardo tentando viver, seguir em frente e não conseguindo, sendo atormentado e boicotado por essa lembrança e principalmente, pela CULPA. Pura culpa. Puta merda, quantas vezes não fiz isso! Quantas vezes, quantas vezes me boicotei!!! Inúmeras. Quando isso aconteceu, por volta de 2008, obviamente, era mais imatura. Foi a receita pro desastre. Fiquei cética por muito tempo com relação às pessoas, e principalmente com relação à mim mesma, me achando uma porcaria de ser humano, sempre esperando aquele estrume de cavalo voltar. Foi aí que vi que tudo dependia de mim. EU tinha que virar e falar para aquele ser que infelizmente, ele não estava à altura. Não estava. E nunca iria estar. E só cabia a mim falar aquilo para ele. Anos ouvindo que eu era culpada de tudo, que a culpa era minha de não ter dado certo. E chega! Como eu queria viver essa cena de verdade, pegar a pessoa e dizer: “ Eu vou embora, mas não porque você quer, mas porque você não está à altura.” Tantas coisas…tantas memórias…por outro lado, ontem fiquei com medo, pois como já disse, fazia tempo que não sentia isso dentro de mim. Mas foi impossível. O Nolan fez isso com o terceiro Batman em 2012, mas me controlei mais, apesar de ainda considerar esse filme um norte e com uma mensagem interessante. É, não vou resistir. Começarei falando o que o Bruce fala para a Selina Kyle: “Há mais em você do que isso.” Não tem outra expressão além de "ESSA FOI PRA MIM!!!” E sinto que foi mesmo, no alvo. Eu estava fora da situação mencionada acima há um tempo, e ainda me sentia atormentada. Mas Nolan, parabéns. Você converteu uma alma. Se fosse pastor, e ainda bem que não é, eu teria saído pregando do cinema. Há mais em você do que isso. E há mesmo. Muito mesmo. Quando ela disse ao Robin: “Só sei que você deveria ter tanto medo dele como eu tenho” foi no alvo também porque tinha muito medo dessa pessoa. Em todos os sentidos, do poder que ela tinha sobre mim, do que poderia fazer contra mim. E vi que só eu, como ela o fez, poderia destruí-lo. E destruí. Enfim…filmes me fazem viajar. Titanic hoje em dia bem menos, mas foi o primeiro. E Batman e agora Inception. Três momentos que me ajudaram a ver coisas em mim. E que a vida de ficção do cinema tem muito de real. Muito, e isso ainda me enche os olhos de lágrimas.

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